Sydney White, após anos trabalhando ao lado do pai e seus amigos, embarca finalmente para a faculdade, da qual herdou quando sua mãe morreu. O que ela herdou, porém, foi um lugar numa das mais prestígiadas casas gregas do sistema. Pena que ela logo percebe não se encaixar muito lá, e logo se reune com os sete nerds excluídos da comunidade.
O nome original é “Sydney White”, nome da personagem título. No filme, temos sete nerds, dos quais ela tenta ajudar quando ela se infiltra na humilde casa deles. Ao redor disso tudo, um concurso da mais bela de todas e uma “rainha da faculdade” malvada. Para completar, um jovem que se interessa por White. Lembraram de alguma coisa? Pois é. O filme é uma adaptação muito solta de Branca de Neve e os Sete Anões, na qual Amanda Bynes interpreta White e os sete anões são, na verdade, os sete nerds. O filme se sustenta na maior parte do tempo nessas referências, que ainda incluem outros elementos do conto como a maçã envenenada, a amizade que se torna algo sério e o beijo poderoso. A mensagem que o longa quer enviar é de que a vida na faculdade não é nenhum conto de fadas. Pena que ele não apoie sempre esse foco, caia no lugar comum e termina com um ar feliz que contradiz muito de seu espírito anterior, apesar de ser um final do qual sempre esperávamos que acontecesse, pelo gênero. Previsível.
Para condensar a inventividade e criatividade das referências e da adaptação divertida, é perceptível o quanto é um mero filme de adolescentes que se revela como uma das principais influências do ótimo Meninas Malvadas, que chegou essa década para entregar um ar novo ao gênero e desmascaralizar todos os esteriótipos que existem nesse mundinho. Agora todos filmes do gênero querem fazer isso. E esse Ela e os Caras não é uma exceção. Ele só não se torna um fiasco mesmo por ainda ter seus momenos de inspiração, justamente por causa das referências e alguns momentos bem humorados que surpreendentemente funcionam. Do mais, é mais do mesmo. Alias, vale notar que Amanda Bynes foi de bonitinha, agradável e engraçadinha em Ela é o Cara para uma atriz que parece não mudar de papel, não importando qual filme faça. Ela sempre faz as mesmas caras, fala do mesmo jeito e sua personagem é sempre a mesma.
Considerando o público alvo, aqueles que ainda não se cansaram de Bynes, o filme vai com certeza agradar, visando que tem seu bom humor, personagens indentificáveis e toda aquela história cliché de superação e vitória. Quem também adora um filme bontinho de “patricinhas e nerds” vai sair ganhando. Mas quem cansou e se saturou do gênero não. O filme tem seus altos, e não vejo porque não irá agradar muita gente, mas é simplesmente falho demais e bobinho demais para eu poder recomendá-lo. O filme está mais para S.O.S do Amor, do qual comecei a ver e parei (por causa de tempo mesmo) do que para o humor conquistador de Ela é o Cara, este sim bem divertido. Alias, esse foi também uma adaptação bem solta de um clássico, dessa vez escrito por William Shakespeare. Se continuar assim Bynes vai longe…ou não.
Ou seja, não recomendo. É muito mais recompensador e divertido rever o excelente Meninas Malvadas, esse sim autêntico e interessante. Outro ponto que vale tocar é na distribuição do filme no Brasil. Obviamente lançado direto em DVD, particularmente esperado já que o último de Bynes também foi, o filme ganhou o suspeito nome de “Ela e os Caras” justamente como uma armadilha. Ou seja, uma advertência aos desavisados, não trata-se de uma continuação à Ela é o Cara. Alias, são bem diferentes, tirando a Bynes, sem contar a queda de qualidade de um para o outro. Foi mais um marketing malvado nas trilhas de Ela é a Poderosa, que foi lançado para confundir o povão que esperava continuação de A Sogra. As distribuidoras são espertas, os brasileiros precisam ser menos burros. Mas se depender de filmes como esse, ninguém vai chegar a lugar nenhum.
Sydney White (2007)Direção: Joe NussbaumRoteiro: Chad Gomez CreaseyElenco: Amanda Bynes, Sara Paxton, Matt Long, Jack Carpenter, Jeremy Howard, Crystal Hunt, Adam Hendershott, Danny Strong, Samm Levine, John Schneider, Arnie Pantoja e Donté Bonner.[Comédia, 108 minutos]